Controle do treinamento

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma das grandes preocupações dos preparadores físicos é o "controle" do treinamento: repetições, séries, duração, frequência cardíaca, GPS, lactímetro, etc.  O princípio da interdependência volume x intensidade (na visão convencional) faz com que fiquemos "dependentes" do controle quantitativo do treino, quando, na verdade, deveríamos nos preocupar com o controle qualitativo do mesmo. A visão de Intensidade em um treino que procura a Especificidade do treinamento deve seguir um outro norte, merece um novo olhar. Ao treinarmos em especificidade, queremos desenvolver um treino à semelhança do jogo. Ou seja, queremos que os gestos motores, situações, exigência física/mental/tática etc. sejam o mais próximo possível da realidade do jogo. Portanto, falamos em intensidade máxima relativa ao que pretendo em determinado exercício.



".. é a intensidade necessária para se fazer determinado exercício com êxito ou seja, a intensidade é relativa aos objetivos que traçamos para o exercício. Desta forma contextualizamos a intensidade porque em determinadas situações o jogador para ter êxito deve estar parado, outras vezes a correr muito, outras vezes a correr pouco (...) Deste modo é relativa ao contexto da situação e por isso, falo em máxima relativa." J. Guilherme Oliveira (2006)

O "controle" do treinamento, desta forma, assume uma forma diferente. Os objetivos que pretendo para o exercício ou sessão de treino são guiarão o processo. posso manipular esse controle de diversas formas. Posso ter um exercício com ou sem oposição, com mais ou menos jogadores,  com mais ou menos espaço etc. Desta forma posso "manipular" o que pretendo e guio o processo para onde quero. A intensidade, portanto, será máxima relativa e assumirá essa forma desde o primeiro dia de treinamento. Desmistificando, então, aquela velha prática de começarmos os treinamentos com uma baixa intensidade e alto volume para, depois, inverter essa ordem no período competitivo. 

2 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Desculpe-me, mas discordo de sua posição. Acho um equívoco acreditar que a percepção do treinador consegue determinar a qualidade do treino. Eu acredito que os controles devam ser feitos para se saber não só a quantidade, mas a resposta fisiológica que determina a qualidade do treino. Os controles fornecem parâmetros que ajudam a direcionar o trabalho no dia dia. Qualquer clube que disputa a Champions League usa as mais recentes tecnologias de controle de treino, desde GPS até monitores de FC, entre outros... Nos últimos 30 anos as pesquisas e tecnologias ajudaram a mensurar as componentes físicas do jogo, digo, físicas... A preparação física evoluiu muito e trouxe a ciência para dentro do futebol. Mas a parte do treino técnico/tático ficou estacionada todo esse tempo. Agora, todos esses 30 anos de ciência não servem mais? Qual clube europeu de primeira grandeza abre mão desses controles de treino? Bayern, Barcelona, Milan, Real Madrid, PSG, Chelsea, entre outros continuam usando tudo que há de mais moderno. Por que será? Eu trabalho no futebol, em time muito conhecido e digo que há um abismo gigantesco entre a teoria do mundo acadêmico e vida real em um clube. A PT nunca será a solução definitiva. Exemplo tivemos esse ano com o Bayern que atropelou o Barcelona (que tb não usa PT). O Bayern trabalha muito a força, coisa que a PT ignora... Se você acredita nisso, siga em frente, mas tenha certeza de que em algum momento você vai perceber que vai faltar perna para seus jogadores...

  1. Gilterlan disse...:

    Meu caro, Anônimo... Respeito demais a sua colocação e acredito nela. Porém me refiro à ênfase exacerbada que dão à toda parafernália em detrimento da qualidade do treino. Abraço!